segunda-feira, 19 de abril de 2010

tá me chamando do que?


A escola de Fofoquinha tem por volta de 1500 alunos. Fofoquinha é a única criança conhecida apenas pelo primeiro nome. Não tem mais ninguém com o mesmo na escola inteira. Os nomes dela e de Matraca-Trica são raros, únicos. As pessoas, quando perguntam "Qual é seu nome?" pela primeira vez, não entendem a resposta. Pedem para repetir. Continuam não entendendo mas para não parecer mal educadas, não perguntam novamente. Desistem e passam batido na esperança de que a gente não note. O máximo que consigo como resposta, quando alguém finalmente entende o nome, é "Nossa, que interessante, não?", sem saber exatamente como se expressar para não deixar passar a reação imediata de quem pensa "Nossa, que coisa esquisita!". Isso não me incomoda. O nome deles é o tipo de nome que ou a gente não vai se lembrar nunca ou, depois de ouvir e entender, nunca mais vai esquecer. Parêntesis: nem vem com a história de que é por isso que esquecí o nome da menina quando ela nasceu, lógico! O branco que me deu poderia ser até com meu nome naquela hora. Fecha parêntesis. São nomes sem diminutivos ou abreviações*. Se eu chamar por eles no meio de uma multidão, serão os únicos que virão a mim.
Lendo uma matéria no The Daily Best sobre a escolha de nomes para bebês, cheguei a uma conclusão. Pode-se falar o que quiser dos americanos, menos que não sejam criativos e ousados na hora de dar nome aos filhos. Tá certo que sempre tem o Top Ten names do ano, como em qualquer lugar do mundo aonde seu filho vai ter que usar o sobrenome a vida inteira para se diferenciar dos outros, como também tem quem extrapola demais e o nome vira uma aberração. Nessas horas dá até pena da criança.
Entre os 2 extremos existem os pais, que não são poucos, que não gostam do conforto e segurança de uma fórmula já testada e que usam palavras com liberdade suficiente para colocá-las em contextos distintos. Sem medo. Procuram o significado perfeito para traduzir o que sentem por sua cria sem se preocupar se vai ficar esquisito ou se é nome próprio. Fofoquinha tinha uma amiguinha chamada Swan. Poético, lindo.
O que quero dizer é que existe vida além de Bruno e Maria Luiza-não tenho nada contra esses nomes, por favor. Olhe ao seu redor, inspire-se e pense no significado da palavra. Procure palavras em outras línguas, volte no tempo e na história. Na lista de nomes americanos, para meninos, existem Beau, Beckett, Cato, Dante, Kobe, Magnus, Jasper e West. Olha só que doçuras de meninas: Calypso, Indigo, Juniper, Lilou, Luna, Sabine e Saffron. Vida virou nome próprio e consta na lista da matéria, cortesia da filha de Camila Alves e Matthew McConaughey. Pode apostar que alguns desses nomes vão virar top ten em alguns anos. Eu ainda não entendi muito bem como o inconsciente coletivo trabalha para que todos tenham vontade dos mesmos nomes em determinado período da história. O que sei é que eles começam com alguma criança, como Vida. A-POS-TO que vamos ter um boom desse nome loguinho. Não porque Vida é filha de pais famosos. Olivias, Sofias, Chloes e Emmas não eram.

* Para ninguém achar que Fofoquinha e Matraca-Trica são aberrações linguísticas, saibam que o nome dela é de princesa (olha só a felicidade quando ela soube a origem) persa e o dele de conquistador mouro. Os dois datam de bem Antes de Cristo.

4 comentários:

Francisca disse...

Petra adora o nome da fofinha, sempre fala.

Agora, sua chará artista foi creativa demais para o meu gosto, ninguém merece se chamar Raquete!

Bjoes

PS: Mande-me sempre as atualizações.

Amanda & Meninas disse...

E eu tenho uma amiga, casada com um americano, que tem dois filhos: a Wave e o Luca Blue (Luca foi ela que insistiu...), e a filha do meu antigo chefe, a Grace Love....bjo

Anônimo disse...

Sei bem do que está falando... Mas realmente é bacana ser diferente! Parabéns pelo blog!

Beta disse...

Esse assunto do nome rende muito...assunto, hehehe.
Adorei o blog.
Bjão